Apenas nos primeiros nove meses deste ano, a economia brasileira gerou 2 milhões de novos empregos. Em setembro, o Brasil registrou uma taxa de desemprego de 6%, a menor da história recente. Nos Estados Unidos, por exemplo, os desempregados alcançam a casa dos 9% da população e, na Europa, há algum tempo enfrentando uma crise de governos, os números também são alarmantes.
Assunto recorrente nas reuniões realizadas pela Comissão de TI e Telecom – que desde o início do ano se reúne com o intuito de encontrar possíveis saídas para o problema da pouca qualificação de profissionais na área de tecnologia – o apagão da mão de obra tem sido também um tema em pauta em grandes veículos de comunicação.
Durante a reunião, ocorrida no último dia 22 de novembro, no Campus Barueri da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC, o grupo tratou dos problemas e oportunidades de expansão dos serviços ligados à área de TI e Telecom na região de Barueri. O encontro foi coordenado pelo diretor da Brasilsite Telecomunucações, que também atua como vice-presidente do Conselho Consultivo da Câmara do Comércio, e é presidente da Comissão de TI, Mário Jorge Junqueira.
O grupo contou com a participação de Sergio de Jesus, da Viio Tecnologia, Murillo Fraguas, da Wall Street Institute, João Carlos Zorrete, da JCL Consultoria, Daniel Gatti e Mauricio Nacib, professores da PUC, Valdir Baptista, da CaCISB, Ricardo Cancela, da Synercorp Technologies, Washington Paz, da SICT, Ricardo de Castro, da Soa Master, Ana Teresa, do Grupo Integração, Michelli Putinato, da NM Solutions e José Roberto Azevedo e Marcos da Silva Santos, representando a FIEB.
Mário Jorge falou da demanda que pode provir do ensino médio como uma alternativa de criar novos profissionais de TI. Ele levou para a discussão a matéria publicada pela revista Exame* que fala sobre o apagão da mão de obra. “Precisamos nos atentar aos números pontuados aqui porque eles podem nos dar um bom parâmetro de discussão. O mais importante é encontrarmos saídas para os problemas que temos enfrentado”, disse.
Na pesquisa realizada recentemente pela revista com 335 empresas, os números levantados como razões do apagão da mão de obra são os mais variados. A pesquisa identificou também quais as principais dificuldades encontradas pelas empresas na área de contratação de pessoal.
Temos observado no Brasil um momento em que não são mais os trabalhadores que migram em busca dos melhores empregos – são os empregos que procuram os profissionais mais capacitados. Eles são tão ou mais importantes do que o capital e tecnologia que garantem o crescimento. Exatamente por isso, a formação de mão de obra de qualidade em larga escala já tem sido trabalhada como um trunfo por algumas nações, como Coreia e Cingapura.
Alguns fatos interessantes foram apontados. Das 335 grandes empresas instaladas no Brasil, a pesquisa mostra que metade delas pretende admitir nos próximos meses. Hoje, 80% dessas companhias têm vagas em aberto. A produtividade do trabalhador brasileiro nos dias atuais equivale à dos japoneses em 1964. Esses números representam quase um quinto do atual rendimento americano e um terço da média coreana, conforme estudo da Universidade da Pensilvânia com 189 nações. A organização pró-negócios Conference Board estima que a produtividade do trabalho no Brasil crescerá 2,4% em 2011, ante 7,9% da China.
Nos próximos 12 meses, 49% das empresas que responderam à pesquisa pretendem manter o atual quadro de funcionários contra 43% que pretendem contratar novos profissionais; as principais dificuldades apontadas pelas empresas para a contratação são: 48% não encontram candidatos com a experiência desejada, 24% falta de formação desejada e 14% a pretensão salarial. Apenas 14% declarou não encontrar dificuldades para a contratação. As saídas encontradas por instituições para suprir a dificuldade de contratação são: 69% investem na formação de funcionários já contratados, 16% contratam profissionais já formados e 12% contratam trabalho de terceirizados.
É interessante também observar que o problema encontrado pelas empresas não reflete apenas a realidade brasileira. O Japão, por exemplo, aparece em primeiro lugar com 80% de dificuldade para contratar a mão de obra desejada, sendo seguido pela Índia, com 67% e Brasil, 57%. E é claro que as razões são as mais variadas: falta de experiência (28%), falta de candidatos (24%), falta de habilidade específica (22%), falta de qualificação formal (15%) e busca pela remuneração maior que a oferecida (11%). E para tentar solucionar a carência observada, as empresas têm oferecido treinamento complementar (21%), busca de pessoal em outras regiões (13%) e mudança no recrutamento (11%).
O grupo atentamente observou alguns números apontados. Os professores da PUC, Daniel Gatti e Maurício Nacib, estão desenvolvendo uma pesquisa que será aplicada em Barueri com o intuito de levantar os problemas pontuais enfrentados pelo município. O trabalho visa indicar as reais necessidades das empresas. Valdir Baptista, da CaCISB, voltou a pontuar a necessidade de manter uma ligação entre a escola técnica e a universidade. Murillo Fraguas, da Wall Street, sugeriu o auxílio da prefeitura para buscar as empresas do segmento de TI.
Mário Jorge agradeceu a participação e o empenho do grupo ao longo deste um ano e ressaltou a importância da continuidade dos trabalhos. “É importante termos o empresariado reunido e engajado nesse projeto que visa o aprimoramento da área de tecnologia e, consequentemente, o crescimento e desenvolvimento de Barueri”.